#1267 - Sumpaulo + Eu, 35 + Orlândia, 99
Quando estava na faculdade, eu quase sempre sentia uma angústia quando voltava à cidade grande após uma temporada no campo. Nem tanto por deixar o conforto do lar onde eu só devia me preocupar em arrumar minha cama, mas por experimentar uma certa "insegurança" em como encontrar as coisas que eu deixei.
No final do mês passado passei pela mesma sensação quando estava no metrô paulistano rumo ao hotel onde me hospedaria para no dia seguinte fazer mais uma prova de mais um concurso. Concurso que eu tinha certeza que passaria, mas que resultou num desastre de enormes proporções. Resolvi criar coragem e conferir o gabarito justamente no dia do meu 35º aniversário. A preocupação começou logo após português: 12 das 20 questões. Para mim, isso é péssimo. O que viria depois seria ainda pior: 14 das 15 questões de direito financeiro estavam erradas. Pânico. Depois de me recompor fiz o que eu sei melhor: neguei. Quis acreditar ter pegado o gabarito errado, ter copiado as questões erradas e por aí vai. Ainda não estou recuperado, pois fiz o que não deveria ter feito: sonhei com o "após nomeação" e tudo o que eu venho reprimindo nesses últimos 3 anos (e pensar que já faz tanto tempo!).
Depois da negação, a contraposição. Meus final de semana paulistano não foi tão agradável assim. Quando fiz 17 anos, pus na cabeça que iria para Sumpaulo. 9 anos depois, saí de lá com a vontade de nunca mais voltar (tanto que nesses 9 anos seguintes, sempre passei "em conexão" pela megalópole e se fiquei 9 dias, no total, foi muito).
A tentação vez ou outra surge, penso que será melhor, que aproveitarei mais tudo o que a cidade tem a oferecer, mas não dá. Não basta o ônus ser infinitamente superior ao bônus. Eu já não me reconheço em Sumpaulo. O Astor sumiu. O CineArte virou CineBombril. Nunca mais verei os vitrais do Liberty e do Bristol. Apesar do Habib's continuar na Augusta, aquele mega-sebo não está mais lá.
Flanei um pouco pela Paulista no sábado e na segunda. Pensava que o divórcio entre Sumpaulo e eu tinha se consumido no sábado, quando jantava no Center 3 e me dava conta de uma mãe e seus filhos na mesa ao lado. Aquelas crianças vão crescer sem sentir o gosto do vento na cara. O dia deles se resumirá a sair do prédio de carro para ir a algum outro lugar fechado. E no dia anterior eu tinha tido um almoço tão agradável no Pai D'Égua... já não é o mesmo ambiente de antes, quando eu cheguei ao Ricifi, mas pelo menos eu vejo as pessoas passando na rua além do muro baixo.
A pá de cal sobre o relacionamento, que foi bom enquanto durou, não nego, se deu na segunda, quando quase fui atropelado pela turba insana na saída do Metrô Consolação na hora do almoço.
Em 36 dias tenho outro concurso e melhor continuar acreditando que tudo vai dar certo no "final" (já que nada nunca acaba).
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Depois de 9 anos, finalmente passo um aniversário "na casa dos meus pais". Levou um bom tempo para mudar a expressão "em casa" para essa e ela não se deu nos 9 anos de Sumpaulo, mas nos 9 do Ricifi. Entretanto, sempre terei carinho pela casa que está lá desde que eu me conheço como gente (foi construída quando eu tinha 2 anos).
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É impressionante como basta chegar aos 35 para os 40 se tornarem tão palpáveis, apesar do chão que ainda há para ser percorrido.
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Por fim, um dado curioso: quando era criança e estava no então 1º grau, todo final de março eu e meus coleguinhas começávamos a imaginar onde estaríamos quando Orlândia se tornasse centenária. Melhor começar a planejar, pois no próximo 30 de Março, Orlândia finalmente completará seu 100º aniversário de emancipação política.
No final do mês passado passei pela mesma sensação quando estava no metrô paulistano rumo ao hotel onde me hospedaria para no dia seguinte fazer mais uma prova de mais um concurso. Concurso que eu tinha certeza que passaria, mas que resultou num desastre de enormes proporções. Resolvi criar coragem e conferir o gabarito justamente no dia do meu 35º aniversário. A preocupação começou logo após português: 12 das 20 questões. Para mim, isso é péssimo. O que viria depois seria ainda pior: 14 das 15 questões de direito financeiro estavam erradas. Pânico. Depois de me recompor fiz o que eu sei melhor: neguei. Quis acreditar ter pegado o gabarito errado, ter copiado as questões erradas e por aí vai. Ainda não estou recuperado, pois fiz o que não deveria ter feito: sonhei com o "após nomeação" e tudo o que eu venho reprimindo nesses últimos 3 anos (e pensar que já faz tanto tempo!).
Depois da negação, a contraposição. Meus final de semana paulistano não foi tão agradável assim. Quando fiz 17 anos, pus na cabeça que iria para Sumpaulo. 9 anos depois, saí de lá com a vontade de nunca mais voltar (tanto que nesses 9 anos seguintes, sempre passei "em conexão" pela megalópole e se fiquei 9 dias, no total, foi muito).
A tentação vez ou outra surge, penso que será melhor, que aproveitarei mais tudo o que a cidade tem a oferecer, mas não dá. Não basta o ônus ser infinitamente superior ao bônus. Eu já não me reconheço em Sumpaulo. O Astor sumiu. O CineArte virou CineBombril. Nunca mais verei os vitrais do Liberty e do Bristol. Apesar do Habib's continuar na Augusta, aquele mega-sebo não está mais lá.
Flanei um pouco pela Paulista no sábado e na segunda. Pensava que o divórcio entre Sumpaulo e eu tinha se consumido no sábado, quando jantava no Center 3 e me dava conta de uma mãe e seus filhos na mesa ao lado. Aquelas crianças vão crescer sem sentir o gosto do vento na cara. O dia deles se resumirá a sair do prédio de carro para ir a algum outro lugar fechado. E no dia anterior eu tinha tido um almoço tão agradável no Pai D'Égua... já não é o mesmo ambiente de antes, quando eu cheguei ao Ricifi, mas pelo menos eu vejo as pessoas passando na rua além do muro baixo.
A pá de cal sobre o relacionamento, que foi bom enquanto durou, não nego, se deu na segunda, quando quase fui atropelado pela turba insana na saída do Metrô Consolação na hora do almoço.
Em 36 dias tenho outro concurso e melhor continuar acreditando que tudo vai dar certo no "final" (já que nada nunca acaba).
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Depois de 9 anos, finalmente passo um aniversário "na casa dos meus pais". Levou um bom tempo para mudar a expressão "em casa" para essa e ela não se deu nos 9 anos de Sumpaulo, mas nos 9 do Ricifi. Entretanto, sempre terei carinho pela casa que está lá desde que eu me conheço como gente (foi construída quando eu tinha 2 anos).
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É impressionante como basta chegar aos 35 para os 40 se tornarem tão palpáveis, apesar do chão que ainda há para ser percorrido.
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Por fim, um dado curioso: quando era criança e estava no então 1º grau, todo final de março eu e meus coleguinhas começávamos a imaginar onde estaríamos quando Orlândia se tornasse centenária. Melhor começar a planejar, pois no próximo 30 de Março, Orlândia finalmente completará seu 100º aniversário de emancipação política.
