19.9.08

#1257 - Milk


Da série não vi e já gostei, o novo filme de Gus Van Saint conta a história de Harvey Milk, o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos EUA no final dos anos 70. Observando o trailer dá para ser ver que vai ser um drama bem politizado, pois a candidatura de Milk despertou a fúria homofóbica de várias entidades que "lutam pela moral e os bons costumes". Por motívo fútil, foi assassinado juntamente com o prefeito de São Francisco por aquele que perdeu a eleição e queria seu cargo de volta. Só nos EUA mesmo para acontecer algo tão estúpido assim (é óbvio que estou me referindo ao motivo do assassinato).

Veja o trailer, acesse a página dedicada a Harvey Milk no Wikipedia e cruze os dedos. Estréia nos EUA em novembro. Aqui? Vai saber...

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Não sou desses que saem à rua para levantar bandeiras e bradar gritos de afirmação, meu estilo é mais ligado aos bastidores, tipo colocar um banner aí encima, à esquerda e apoiar quem dá a cara a tapa, estando no meio da multidão num discurso de Milk e fazendo o trabalho de formiguinha, pedindo para a meia dúzia de gatos pingados que aparem por aqui para ver esse filme.

6.9.08

#1256 - O Circo


O homi barbudo com a mão preta esteve aqui no Ricifi na sexta passada. Não foi a primeira e certamente está longe de ser a última, mas foi a primeira vez que ele esteve logo alí, a menos de 1km de casa, no anfiteatro da UFPE. Pude conferir de perto o circo que se arma em todos os seus deslocamentos. Helicópteros, viaturas de puliças e muitos puliças por m².

Multiplique isso pelo número de deslocamentos do homi e se tem uma certa noção do montante de desperdício de dinheiro público...

Estamos vivendo um momento sui generis. O câncer exposto da corrupção está se putrefazendo e o homi viajando. Isso me faz lembrar de um certo jingle de campanha que pedia para deixarmos o homi trabalhar.

Não faço parte do Fla X Flu no qual a política brasileira se transformou. Não, Lula não é o culpado pelos grampos, apesar dele ser um dos principais culpados pela "inanição" da máquina pública. Para quem dizia "Fora FHC", ele se mostrou um homi de um conservadorismo tacanho. Não mexe em nada, tenta ver se a coisa se resolve por si só, tenta manter um braço num lado, o outro braço em outro, o pé direito naquele lá e o pé esquerdo nesse daqui. Assim fica difícil tomar qualquer decisão, né?

Mas... enquanto isso... não vou me espantar se na campanha política de 2010 ele conseguir convencer o povo que foi ele quem achou o petróleo no pré-sal e com isso eleger o poste chamado Dilma. Se bobear, eu até posso votar nela. As alternativas paulista ou mineira me parecem ser infinitamente peores.

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Nas minhas andanças pela internet, me deparei com um texto de alguém (infelizmente, não me lembro quem) citando Marilena Chauí. Ela não é das minhas autoras favoritas, pois costuma carregar na ideologia, mas quando faz alguma análise isenta, mostra o quanto é "antenada". Diz a moça:

O Brasil é autoritário porque os governantes e parlamentares mantêm com os cidadãos relações de favor, clientela e tutela, porque impõem o consenso, porque o fascínio pelos signos de prestígio e poder supera o da realização de um projeto de desenvolvimento.

Enquanto isso, a China e a Índia decolam, a Rússia nada em rios de petróleo e o Brasil.... bem... a gente se contenta com 5% de crescimento anual. Pra que mais? Gula é pecado.

1.9.08

#1255 - Ele caiu


Para não dizer que eu não vi nada da Olimpíada, vi a cerimônia de abertura até a entrada do Brasil e a final do futebol feminino. Vi o momento de acendimento da tocha olímpia via youtube e tentei ver o encerramento, mas não consegui acordar a tempo.

Não tenho nada contra o ufanismo que toma conta de boa parte de nós, brasileiros, durante as Copas do Mundo, as Olimpíadas e os Pan-Americanos. Minha crítica é em relação à falta de patriotismo que demostramos nos outros dias dos anos. Um total desapreço pelo país que vivemos. Não é um país perfeito? Não, não é. Mas é o nosso país e deveríamos valorizá-lo, pois nenhum país do mundo tem todo o potencial que o Brasil tem. Ainda cometemos muitas burradas e deixamos esse potencial continuar sendo apenas potencial. Dia desses, li que extraíram água doce da cana-de-açúcar. Isso será ou não uma revolução? Com tecnologia 100% brasileira.

E somos pioneiros em vários outros ramos. Pena que as mazelas, que não são poucas, se sobressaem. Temos uma dívida imensa que vem desde os tempos da escravidão, mas voltarei a esse assunto um outro dia.

Voltando à Olimpíada, para quem fica debochando do "país do bronze", apenas um dado para reflexão: no país da monocultura do futebol, 88% das escolas públicas não têm quadras poliesportivas e o grosso do patrocínio estatal vai para os esportes de alto rendimento ( ) e para as mordomias dos cartolas (sempre eles). Como podemos esperar que surja um Michael Phelps nesse ambiente? Até o dia em que o esporte receber a devida atenção que merece (como formação de cidadãos, ocupação para adolescentes suscetíveis ao tráfico e à coisas piores etc), ficaremos sempre na dependência de uma Maureen Maggi da vida, que vira um "azarão". Não poderemos nunca contar com uma Dayane do Santos ou um Diego Hypolito pois apesar de serem os melhores nos mundiais que pouquíssimos de nós damos atenção, na hora que recebem a descarga energética de 190 milhões querendo o ouro pelo ouro, caem com a bunda no chão. Se até cavalo refuga, por que seres humanos não sentiriam a pressão?

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Nesse interlúdio, tinha escrito uma mega-postagem raivosa sobre o não-debate a respeito da revisão da anistia aos militares. Nunca concluí e por isso, nunca publicarei, mas posso resumir tudo numa frase: no dia em que conseguirmos escurraçar o nome desses canalhas fardados de nossas pontes, estradas, avenidas e hospitais, estarei feliz. De certa forma, me conforta saber que eles pagarão pelo que fizeram. Se não nessa vida, o que acho pouco provável, na(s) próxima(s), pois podemos escapar das punições legais, mas não do confronto com nossos erros.

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E fora isso, tenho jogado muito Civilization IV, dei um rush e mega-atualizei o Berrando Filmes e estou quase no fim de Twin Peaks, a minissérie.